Sabão, sabonete ou detergente: com qual devo lavar as mãos?

Sabão, sabonete ou detergente: com qual devo lavar as mãos?

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Lave as mãos! Certamente você cresceu ouvindo isso dos seus pais, principalmente antes das refeições. Hoje, esse bom hábito de higienização é implorado pelo mundo inteiro como uma das formas de prevenção contra a Covid-19. Mas, afinal, qual o produto correto: sabão, sabonete ou detergente? Na verdade, todos eles higienizam, porém, o indicado para a pele é o sabonete. Os demais são produzidos para outras limpezas.

A professora do curso de Biomedicina da Unoeste Valeria Cataneli Pereira, doutora na área de biologia de microrganismos e parasitas, ressalta que o sabão é um produto utilizado em conjunto com a água para lavar e limpar a sujeira mais pesada. “É produzido a partir de uma reação denominada saponificação: as gorduras e óleos reagem com uma base (hidróxido de sódio ou de potássio), dando origem a um sal de ácido carboxílico, que é o sabão, e glicerina”.

Já o sabonete, conforme a Dra. Valeria, é um produto fabricado a partir do sabão, porém é mais leve, mais suave, pouco cáustico, destinado ao uso de higiene pessoal. “Para que o sabonete seja menos agressivo à pele, é realizada a correção do pH com ácido cítrico ou ácido bórico e podem ser adicionados corantes e fragrâncias para dar atratividade”.

No caso dos detergentes, a docente explica que eles atuam da mesma maneira que o sabão, no entanto são derivados do petróleo e podem ou não ser biodegradáveis. “Devem ser utilizados para a lavagem de louças e superfícies e não na higienização das mãos, pois retiram a gordura natural presente na pele, causando ressecamento e podem até provocar irritações”, frisa.

Importante saber, nesta época de pandemia, que todos os sabonetes podem ser utilizados para a higienização da pele, mas a professora orienta dar preferência aos com glicerina para garantir uma melhor hidratação. “Os sabonetes antibacterianos devem ser utilizados com cautela, pois podem eliminar bactérias protetoras da pele, deixando-a muito mais susceptível às infecções”, frisa.

Agora que ficou esclarecido que sabonete é o ideal para as mãos, surge outra dúvida: em barra ou líquido? A Dra. Valéria responde que ambos têm o mesmo efeito, porém, o sabonete em barra é para uso pessoal. “Em locais de uso coletivo, o suporte do sabonete em barras acumula água e dejetos, o que não é higiênico, desta maneira o sabonete líquido é o mais indicado”.

Por que a higienização das mãos é importante neste momento?

A professora ainda ressalta que a disseminação do novo coronavírus ocorre de pessoa para pessoas, através da contaminação por gotículas respiratórias (saliva, espirro e tosse) ou contato (aperto de mãos, objetos ou superfícies contaminadas).

“Primeiramente, devemos saber que o vírus Sars-Cov-2 tem uma forma simples: uma fita de RNA, envolta por uma estrutura chamada capsídeo e por um envelope. Essas estruturas são formadas por proteínas e lipídios, que possibilitam o vírus de causar a infecção nas células do hospedeiro. Desta forma, água e sabão são eficientes na eliminação do vírus, bem como o álcool, atuando nessas estruturas que envolvem a partícula viral”, detalha.

Na falta do álcool

Quanto ao álcool em gel, ela destaca ser um agente antisséptico e desinfetante, por isso remove os microrganismos patogênicos (que causam doenças ao homem) da pele e de superfícies. “Para a antissepsia das mãos, deve ser utilizado o álcool 70% após a higienização com água e sabão como forma de complementar o processo anterior. Já a utilização apenas do álcool deve ser realizada quando não é possível lavar as mãos. Mas como o álcool em gel está em falta nas prateleiras dos supermercados, a higienização das mãos com água e sabonete é a melhor medida”.

Já para as superfícies, a professora da Biomedicina indica o uso de hipoclorito de cloro (água sanitária) diluído em água, que pode ser utilizado para a desinfecção. “Basta diluir 25 ml de hipoclorito de cloro em 1 litro de água e utilizá-lo em maçanetas, botões de elevadores, bancadas, mesas, entre outras superfícies, para prevenir a disseminação do vírus”.