Cardiologista explica os cinco sintomas físicos da ansiedade

A ansiedade pode se manifestar com sintomas psicológicos, como medo, insônia, dificuldade de concentração, mas também pode apresentar sintomas físicos. Você já se sentiu mal, foi ao médico, fez um monte de exames, e que não acusaram nenhuma doença? Se a sua resposta for sim, você pode estar com sintomas físicos da ansiedade.

Sintomas físicos da ansiedade

De acordo com o cardiologista e especialista em marca-passo, Dr. Roberto Yano, a ansiedade pode se manifestar com sintomas psicológicos, como medo, insônia, dificuldade de concentração, mas também pode apresentar sintomas físicos.

Entre esses sintomas, o Dr. Yano destaca:

1- Alteração no ritmo cardíaco

Segundo o especialista, em uma crise de ansiedade o ritmo cardíaco pode acelerar. Normalmente os pacientes usam a frase ‘meu coração parece que vai sair pela boca’, para explicar a sensação que estão sentindo.

“A sensação de estresse e ansiedade faz com que o organismo libere mais adrenalina, um hormônio que aumenta a frequência cardíaca, por isso ocorre alteração e aceleração nos batimentos cardíacos”, explica Dr. Yano, acrescentando que já atendeu vários pacientes relatando estarem com sintomas cardíacos, quando na realidade estavam em crises de ansiedade.

“Por outro lado, o contrário também ocorre de pacientes sentirem alteração no ritmo cardíaco, tratarem como se fosse apenas uma ansiedade, demorarem a me procurar, e quando avalio o paciente, ele realmente está com alguma arritmia cardíaca”, contou.

2- Tontura

Pacientes que sofrem com a ansiedade costumam relatar tontura, principalmente quando estão na crise. Tonturas no ansioso podem ocorrer em situações específicas, como por exemplo: quando se está em ambientes onde há muitas pessoas, ou em ambientes muito fechados.

“Essa vertigem pode levar ao medo de sair de casa, de cair, de chegar a um local cheio e passar mal”, explicou Dr. Roberto.

3- Falta de ar

Falta de ar quando está nervoso, estressado, brigando com alguém? Isso também pode ser um sintoma de ansiedade. Pessoas que sofrem desse mal, podem sentir falta de ar constantemente.

“A falta de ar normalmente vem acompanhada de palpitação. Em situações de estresse é preciso tentar se acalmar, e se a crise de ansiedade não passar, procure orientação médica”, alerta o especialista.

4- Formigamento nos braços e língua

A dormência nos braços, mãos e língua, também podem ser causadas pelo estresse e ansiedade. Em pessoas com síndrome do pânico esses sintomas podem surgir acompanhados de outros sintomas, como suor frio, dor no peito, arritmia e formigamento.

“Esse formigamento pode ocorrer por causa da liberação da adrenalina. O corpo entende que você está se preparando para uma situação de luta, ou fuga. O organismo começa a direcionar o fluxo de sangue para os músculos para que fiquem mais fortes e rígidos”, explicou o médico. ·.

5- Cansaço

Quem nunca acordou com a sensação de que ainda não havia dormido? Totalmente cansado, fraco. Na realidade, a ansiedade não causa fraqueza muscular de fato, mas pode dar a sensação de cansaço, podendo se intensificar quando a pessoa está em crise.

“Existem várias doenças que podem fazer uma pessoa se sentir cansada, como hipotireoidismo, insuficiência cardíaca, anemia e até a própria depressão. A recomendação é clara de não se automedicar, sem saber o diagnóstico”, alertou.

Dr. Yano destaca que a ansiedade é uma doença psiquiátrica. O tratamento pode aliviar a maioria ou todos os sintomas. “A orientação é procurar ajuda de profissionais adequados, como psicólogos, psiquiatras, praticar exercício físico, ter uma boa alimentação, ter um hobby, horas de lazer com a família. Esse conjunto de ações vão te ajudar a viver mais e com melhor qualidade de vida”, garantiu Dr. Roberto.

Caso você apresente alguns dos sintomas citados acima, é importante descartar outras doenças, como problemas no coração, doenças da tireoide, anemia, doenças ginecológicas. O importante é sempre procurar um bom médico, caso esses sintomas físicos ocorram. “A ansiedade entra sempre como diagnóstico de exclusão. O paciente que chega com sintomas cardíacos, é sempre necessária a investigação minuciosa de todos os seus sintomas”, finalizou Dr. Roberto Yano.

Dr. Roberto Yano é médico cardiologista e especialista em Estimulação Cardíaca Artificial pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e AMB. Atualmente suas redes sociais, que traz a #amigosdocoracao, contam com um número expressivo de seguidores. São mais de 1,5 milhão engajados e distribuídos nos canais do Facebook, Youtube e Instagram.

Dia Mundial do Coração e a importância de hábitos saudáveis

Desde o ano 2000 todo 29 de setembro é celebrado o Dia Mundial do Coração. A data, instituída pela World Heart Federation (WHF), visa ressaltar a importância do cuidado com um dos órgãos mais importante do corpo humano, o coração. Nesta data, instituições de todo o mundo conscientizam a população a respeito dos problemas cardiovasculares que foram responsáveis por 32% de todas as mortes globais em 2019, sendo 85% delas de enfarto ou derrame, conforme aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O cardiologista Leonardo Barroso, do Hospital Ana Costa, de Santos, alerta que manter hábitos saudáveis é fundamental para preservar a saúde do músculo cardíaco. Segundo o médico, os principais cuidados com a saúde do coração estão relacionados a fatores comportamentais e hábitos fáceis de serem incorporados no dia-a-dia. “ Para quem não tem nenhum tipo de doença o ideal é consultar um cardiologista uma vez por ano, e para quem tem alguma comorbidade, pelo menos de duas a quatro vezes por ano. Atividades físicas são essenciais e podem ser feitas de maneiras prazerosas, como caminhadas ao ar livre, subir e descer escadas ao invés de usar o elevador e andar de bicicleta. Manter uma alimentação saudável, evitar o excesso de álcool e não fumar também melhoram a saúde do coração’, recomenda o especialista.

No entanto, ele acrescenta que pessoas que tiveram COVID-19 devem consultar um especialista antes de retomar a prática de atividades físicas. Isso porque a doença pode desencadear problemas cardíacos como miocardite – que é uma inflamação no músculo do coração -, a arritmia – caracterizada pela falta de ritmo nos batimentos do coração -, e síndrome coronariana aguda – quando há a artéria coronariana é obstruída, podendo provocar um infarto ou até a morte súbita.

Outro problema comum na atualidade, os altos níveis de estresse também podem estimular problemas cardíacos, já que a aceleração dos batimentos é capaz de aumentar a pressão arterial. A pressão alta, por sua vez, tem impacto no coração, como o maior risco de infarto e AVC. “Às vezes pequenas medidas, como realizar refeições tranquilas, sem estresse e sem fazer uso de celulares e televisões, podem ajudar a preservar a saúde do coração. Sente-se junto à família, aos amigos e desfrute deste momento. Coma com prazer e qualidade, isso faz diferença, inclusive no alívio do estresse”, indica o cardiologista.

Em 2019, cerca de 17,9 milhões de pessoas morreram de doenças cardiovasculares no mundo. Esse grupo de doenças englobam as chamadas doenças do coração e dos vasos sanguíneos. No Brasil, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 14 milhões de pessoas têm alguma doença cardiovascular e, pelo menos, 400 mil morrem por ano em decorrência dessas enfermidades, o que corresponde a 30% de todas as mortes no país. “É necessário lembrar que é muito mais fácil cuidar da saúde do que da doença, sendo assim, a prevenção de fatores de risco é o melhor caminho para evitar doenças cardiovasculares”, pontua Leonardo.