A alimentação e a saúde dos olhos

Quando se fala em adotar hábitos saudáveis de alimentação, poucas pessoas pensam na saúde dos olhos. Mas, sim, uma alimentação rica em nutrientes é essencial também para a manutenção a saúde dos olhos.

“Vitaminas, minerais, antioxidantes e ácidos graxos presentes nos alimentos auxiliam na prevenção de doenças oculares, como catarata, glaucoma e degeneração macular”, alerta a nutricionista Débora Camila da Fonseca – CRN 7142, que integra a rede de Credenciados do Plano CELOS, uma iniciativa da Fundação Celesc de incentivo à qualidade de vida e à promoção da medicina preventiva.

A especialista lembra ainda que manter uma alimentação equilibrada é importante no controle do diabetes e da hipertensão arterial. “Essas doenças, quando descompensadas, podem ocasionar o glaucoma secundário, chamado também de neovascular”, explica Débora.

Nutrientes para a saúde dos olhos

A seguir confira seis nutrientes, e suas fontes alimentares, que desempenham papel importante na saúde ocular:

  • VITAMINA A: possui atividade antioxidante e é primordial para a saúde dos olhos. A deficiência dessa vitamina pode causar sintomas como cegueira noturna, falta de lágrimas, dificuldade de adaptação à luz e xeroftalmia (também chamado de olho seco). A vitamina A está presente em fígado, gemas de ovos, leite, cenoura, batata-doce, espinafre, couve, abóbora, manga, goiaba, mamão e caqui.
  • CAROTENOIDES: são substâncias bioativas, consideradas potentes antioxidantes que reagem contra os radicais livres e têm o potencial de aumentar a densidade do pigmento macular. Sabe-se que esses pigmentos são responsáveis pela filtragem e absorção da luz azul, atenuando o estresse oxidativo e protegendo consequentemente a retina. São encontrados em alimentos com tons que vão do amarelo ao vermelho, como cenouras, tomates, manga, laranja, abóbora, caranguejos e camarão.
  • BETACAROTENO: é o principal precursor da vitamina A, que, além de essencial para a saúde dos olhos, é importante para a pele e para o sistema de defesa do corpo. É encontrado em frutas e legumes de cor amarelo-alaranjada, como mamão, manga, pêssego, milho, cenoura e abóbora, por exemplo.
  • ÔMEGA-3: devido à concentração de ácido graxo que possui, auxilia na lubrificação e na prevenção da “síndrome do olho seco”. As gorduras presentes na retina precisam ser constantemente renovadas, porque o déficit dela pode favorecer o aparecimento de doenças. São fontes de ômega 3: sardinha, salmão e atum.
  • ZEAXANTINA: importante na prevenção e para evitar complicações da catarata e da degeneração macular relacionada à idade (DMRI).
  • LUTEÍNA: atua na prevenção de doenças da visão, assim como a zeaxantina. Ambas são fundamentais para manter a saúde dos olhos, já que compõem a região da retina (mácula), responsável por absorver a luz e transformá-la em imagens nítidas. Estão presentes principalmente nas hortaliças e nas frutas de cor amarela, alaranjada, vermelha e verde, tais como: nectarina, laranja, mamão, pêssego, agrião, brócolis, couve, espinafre, pimentão, repolho, couve-flor, ervilha, milho e rúcula.

Dia Mundial do Coração e a importância de hábitos saudáveis

Desde o ano 2000 todo 29 de setembro é celebrado o Dia Mundial do Coração. A data, instituída pela World Heart Federation (WHF), visa ressaltar a importância do cuidado com um dos órgãos mais importante do corpo humano, o coração. Nesta data, instituições de todo o mundo conscientizam a população a respeito dos problemas cardiovasculares que foram responsáveis por 32% de todas as mortes globais em 2019, sendo 85% delas de enfarto ou derrame, conforme aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O cardiologista Leonardo Barroso, do Hospital Ana Costa, de Santos, alerta que manter hábitos saudáveis é fundamental para preservar a saúde do músculo cardíaco. Segundo o médico, os principais cuidados com a saúde do coração estão relacionados a fatores comportamentais e hábitos fáceis de serem incorporados no dia-a-dia. “ Para quem não tem nenhum tipo de doença o ideal é consultar um cardiologista uma vez por ano, e para quem tem alguma comorbidade, pelo menos de duas a quatro vezes por ano. Atividades físicas são essenciais e podem ser feitas de maneiras prazerosas, como caminhadas ao ar livre, subir e descer escadas ao invés de usar o elevador e andar de bicicleta. Manter uma alimentação saudável, evitar o excesso de álcool e não fumar também melhoram a saúde do coração’, recomenda o especialista.

No entanto, ele acrescenta que pessoas que tiveram COVID-19 devem consultar um especialista antes de retomar a prática de atividades físicas. Isso porque a doença pode desencadear problemas cardíacos como miocardite – que é uma inflamação no músculo do coração -, a arritmia – caracterizada pela falta de ritmo nos batimentos do coração -, e síndrome coronariana aguda – quando há a artéria coronariana é obstruída, podendo provocar um infarto ou até a morte súbita.

Outro problema comum na atualidade, os altos níveis de estresse também podem estimular problemas cardíacos, já que a aceleração dos batimentos é capaz de aumentar a pressão arterial. A pressão alta, por sua vez, tem impacto no coração, como o maior risco de infarto e AVC. “Às vezes pequenas medidas, como realizar refeições tranquilas, sem estresse e sem fazer uso de celulares e televisões, podem ajudar a preservar a saúde do coração. Sente-se junto à família, aos amigos e desfrute deste momento. Coma com prazer e qualidade, isso faz diferença, inclusive no alívio do estresse”, indica o cardiologista.

Em 2019, cerca de 17,9 milhões de pessoas morreram de doenças cardiovasculares no mundo. Esse grupo de doenças englobam as chamadas doenças do coração e dos vasos sanguíneos. No Brasil, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 14 milhões de pessoas têm alguma doença cardiovascular e, pelo menos, 400 mil morrem por ano em decorrência dessas enfermidades, o que corresponde a 30% de todas as mortes no país. “É necessário lembrar que é muito mais fácil cuidar da saúde do que da doença, sendo assim, a prevenção de fatores de risco é o melhor caminho para evitar doenças cardiovasculares”, pontua Leonardo.

Boa alimentação pode aliviar sintomas da TPM

Todo mês, mulheres em idade fértil apresentam sintomas físicos ou psíquicos da Tensão Pré-Menstrual, a temida TPM. Essa alteração de humor, normalmente, aparece na semana que antecede a menstruação, interrompendo nos primeiros dias após o início do sangramento. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% das mulheres sofrem algum desconforto durante este período.

Nestes dias de alteração hormonal a mulher pode apresentar sintomas como cólica, inchaço, dor de cabeça, irritação e desânimo. Por isso, uma alimentação rica em vitaminas A e B6, magnésio, aminoácidos tirosina e triptofano são capazes de minimizar alguns sintomas da TPM.

Para a nutricionista da Clínica-Escola de Nutrição da Universidade UNG, Flavia Terciano, alguns aspectos devem ser considerados juntamente à avaliação da TPM. “Deve-se avaliar o uso de cafeína, sal, álcool e ajustar a alimentação para evitar deficiências nutricionais”, explica.

Alimentos para aliviar a TPM

Confira alguns alimentos listados pela nutricionista que podem amenizar os sintomas:

  • Alimentos ricos em L-triptofano como banana, nozes, leguminosas (feijões, lentilha), aveia, abacate, mel, entre outros, auxiliam no combate a irritabilidade, fadiga, insônia, compulsão alimentar, por doces principalmente, pois são precursores da serotonina, hormônio conhecido por trazer sensação de bem-estar e felicidade.
  • Pensando ainda nos precursores da serotonina, indicamos alimentos ricos em vitaminas do complexo B: Linhaça, semente de girassol e cereais integrais.
  • Aumentar o consumo de água é essencial. O período da TPM pode gerar inchaço, proveniente da retenção de líquidos. Uma boa dica é preparar uma receita de água saborizada (incluir rodelas de frutas na água) e consumir bem gelada.
  • Alimentos anti-inflamatórios são muito importantes, porque auxiliam na diminuição das cólicas menstruais, dores de cabeça e nos seios. Alimentos que podemos incluir são: ômega 3,6,9 (oleaginosas, cereais integrais e peixes como o salmão).

Alimentos que agravam a TPM

Para evitar o agravamento dos sintomas da TPM, a nutricionista recomenda que sejam exitados:

  • Cafeína: (café, refrigerantes, alguns tipos de chá como chá preto e chá verde, bebidas energéticas), pois aumenta o hormônio do estresse e diminui a produção de serotonina, causando tensão, irritabilidade e estresse.
  • Sódio: Presente nos alimentos industrializados, sal de adição, conservantes etc. Podem contribuir para a retenção hídrica, o inchaço característico desse período (principalmente nos pés e pernas) e a sensação de ganho de peso.
  • Evitar o excesso de álcool. A bebida pode provocar desidratação e aumentar a eliminação de nutrientes importantes, inclusive para amenizar os sintomas.

Fonte: Universidade UNG  www.ung.br

5 alimentos para deixar a pele mais resistente e saudável

Você pode achar estranho falar em alimentação para prevenção de danos ambientais causados pelo sol e pela poluição, mas existem pessoas que, por uma predisposição genética, têm uma aceleração do envelhecimento da pele quando expostas aos raios solares (até oito vezes maior que o normal). “Todos nós somos resultados da interação dos nossos genes com fatores ambientais. O nosso estilo de vida, nossa alimentação, nível de atividade física e nível de estresse modulam a nossa suscetibilidade genética. Mas, por exemplo, o genótipo do gene MMP1 está relacionado a uma degradação do colágeno oito vezes maior que o normal após a exposição solar. Existe também o genótipo do gene COL1A1, ligado à menor produção de colágeno. E é possível ver, além disso, a carência de genótipos de genes como SOD2 e CAT, o que compromete a capacidade antioxidante da pele em responder bem contra a ação dos radicais livres”, afirma o geneticista Dr. Marcelo Sady, diretor geral do Laboratório Multigene. “E é por isso que a alimentação não substitui o protetor solar, mas é um reforço muito importante para deixar a pele mais resistente, evitando uma degradação de colágeno mais acentuada, e ajudando na formação dessa proteína de sustentação”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Os dermatologistas dizem que você deve usar protetor solar o tempo todo, mesmo quando estiver dentro de casa. Portanto, não ignore esse produto no uso diário. “O uso de protetor solar é importante porque previne o aparecimento de câncer de pele e o fotoenvelhecimento da pele. O produto ajuda a combater várias lesões benignas e malignas desencadeadas pelo sol, como: melanoses (manchas nas mãos e no rosto), melasma (mancha da gravidez ou não), leucodermia gutata (manchinhas brancas como sardas brancas nas pernas e braços), lesões pré-malignas (queratose actínica) e as malignas (câncer de pele: carcinoma basocelular ou espinocelular ou melanoma)”, explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Por isso, a médica recomenda o uso diário de um protetor solar com FPS de no mínimo 30.

Para proteção extra contra os raios ultravioleta prejudiciais, você pode adicionar certos alimentos à dieta para aumentar a proteção solar natural e antioxidante da pele. Abaixo, a médica nutróloga destaca alguns alimentos que possuem qualidades naturais de proteção:

Tomates

Um estudo da Universidade de Michigan revelou que o licopeno, um antioxidante encontrado nos tomates, pode ajudar a prevenir queimaduras solares na pele. Os pesquisadores descobriram que as pessoas que consumiram 40 gramas de pasta de tomate por dia (ou seja, cerca de 16 miligramas de licopeno), estavam mais protegidas contra os raios ultravioleta do que aquelas que não consumiram pasta de tomate. “Os tomates também contêm um pigmento chamado luteína, que reduz os radicais livres nocivos originados de uma exposição solar sem proteção eficiente, minimizando o risco de um estresse oxidante na pele e de lesões causadas pelo sol”, afirma a Dra. Marcella.

Melancia

A melancia também é uma boa fonte de licopeno, um caratenóide que protege a pele contra queimaduras solares e câncer de pele. “Os raios ultravioletas promovem a formação de radicais livres que podem danificar as células da pele. O licopeno atua como um escudo protetor para defender as células da pele desse ataque. Além do mais, a melancia é 90% aquosa, o que ajuda a manter seu corpo e sua pele hidratados”, afirma a médica.

Frutas vermelhas

Com antioxidantes e vitamina C, que podem proteger a pele dos danos do sol, as frutas vermelhas também fornecem nutrientes importantes para a formação das proteínas de sustentação da pele, como colágeno e elastina.

Chocolate Amargo

O cacau é uma excelente fonte de antioxidantes como polifenóis e catequinas, que estudos descobriram ser eficazes na proteção da pele contra queimaduras solares e câncer de pele. “O cacau contém quatro vezes mais polifenóis e catequinas do que o chá. Mas não é necessário exagerar: a dose diária de 25 a 30g, ou uma fileirinha da barra de chocolate amargo, já é suficiente”, diz a médica.

Uvas pretas

Com antioxidantes, as uvas pretas podem ajudar a bloquear os prejudiciais raios UV, prevenir rugas e aumentar a elasticidade da pele. “A fruta também é uma excelente fonte de Vitamina E que mantém a pele hidratada. Mas o que mais chama a atenção é o resveratrol, um polifenol que tem ação anti-inflamatória, protetora do DNA celular e antioxidante”, afirma a médica nutróloga. Além disso, a vitamina C das uvas ajuda a revitalizar as células da pele.

Outras estratégias

Além da alimentação, existem também suplementos que podem ajudar na questão da fotoproteção oral. “Mais recentemente tem se falado muito na questão dos pré e probióticos associados à formulação tópica e via oral com conceito de defesa e imunologia da pele. Não dá para colocar todas as fichas com relação à questão da fotoproteção em produtos de uso tópico. A fotoproteção oral é fundamental e complementar. No entanto, eles não substituem os protetores de uso tópico! Os filtros imunoprotetores via oral vieram para ficar com propriedades de melhora da resistência cutânea e imunológica”, afirma a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Eles funcionam como verdadeiros guardiões, quando associados aos protetores locais, para preservar a estrutura e evitar a desnaturação do DNA celular por proteger as células imunológicas da pele e reverter em parte os danos biológicos e inflamatórios causados pela exposição exagerada ao sol. Os mais importantes são o Polipodium Leucotomus, Pycnogenol, Astaxantina, Luteína, Extrato de White e Green Tea, Resveratrol e ácido elágico da Romã, sempre associando ao uso de silício orgânico Exsynutriment para melhora do aspecto da flacidez e ao Bio-Arct para ação antioxidante, imunológica e melhora da energia mitocondrial”, finaliza a Dra. Claudia.

 

FONTES:

*DRA. CLAUDIA MARÇAL: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Professora e fundadora do Dermacademy MB, plataforma online de ensino a dermatologistas, a médica é speaker Internacional da Lumenis, maior fabricante de equipamentos médicos a laser do mundo; e palestrante da Dermatologic Aesthetic Surgery International League (DASIL). Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas – SP.

*DRA. PAOLA POMERANTZEFF – Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais. http://www.drapaola.me/

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

*DR. MARCELO SADY: Pós-doutor em genética com foco em genética toxicológica e humana pela UNESP- Botucatu, o Dr. Marcelo Sady possui mais de 20 anos de experiência na área. Speaker, diretor Geral e Consultor Científico da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem, o especialista é professor, orientador e palestrante. Autor de diversos artigos e trabalhos científicos publicados em periódicos especializados, o Dr. Marcelo Sady fez parte do Grupo de Pesquisa Toxigenômica e Nutrigenômica da FMB – Botucatu, além de coordenar e ministrar 19 cursos da Multigene nas áreas de genética toxicológica, genômica, biologia molecular, farmacogenômica e nutrigenômica.

Dino – Distribuidor de Notícias

Proteja-se das doenças de origem alimentar

“Não consegui sair do banheiro durante 12 horas”, diz Becky. “As cólicas eram horríveis. Fiquei tão desidratada, que tive de tomar soro na veia, no pronto-socorro. Levei duas ou três semanas para voltar ao normal.”

Becky teve intoxicação alimentar. Como a maioria das vítimas, ela sobreviveu. Mas o seu sofrimento ainda permanece fresco na memória. “Nunca pensei que uma intoxicação alimentar deixasse a gente tão mal”, diz.

Experiências como essa, e outras ainda piores, são perturbadoramente comuns. Dezenas de bactérias, vírus, parasitas e protozoários são uma ameaça e podem envenenar nossa comida. E, ao passo que alguns tipos de doenças transmitidas por alimentos diminuíram nos países industrializados nos últimos anos, uma reportagem da revista A Saúde do Mundo diz que “a salmonelose e algumas outras [doenças] desafiaram todos os esforços feitos para as controlar”.

É difícil avaliar a incidência de intoxicação alimentar porque a maioria dos casos não são notificados. A Dra. Jane Koehler, do Centro de Controle de Doenças (EUA), diz: “O que nós sabemos é só a ponta do iceberg.”

O que causa as doenças transmitidas por alimentos? Talvez se surpreenda de saber que o problema muitas vezes começa bem antes de o alimento chegar ao mercado.

Criação de epidemias

As técnicas modernas de criação, a bem dizer, garantem a rápida disseminação de agentes patogênicos entre o gado. Na indústria da carne bovina norte-americana, por exemplo, misturam-se bezerros de aproximadamente 900.000 fazendas em menos de cem matadouros. Por causa dessa mistura, o contaminante de uma única fazenda pode dar início a uma epidemia.

O Dr. Edward L. Menning, diretor da Associação Nacional dos Veterinários Federais, afirma que, nos Estados Unidos, “trinta por cento ou mais da ração dos animais está contaminada com agentes patogênicos”.

Às vezes, a ração é enriquecida com resíduos dos matadouros para aumentar a quantidade de proteína — prática que pode disseminar a salmonela e outros germes.

Quando os animais recebem pequenas doses de antibiótico para acelerar seu crescimento, os germes podem criar resistência aos antibióticos. “Um bom exemplo é a salmonela, que está ficando cada vez mais resistente aos antibióticos”, diz o Dr. Robert V. Tauxe, do Centro de Controle de Doenças. “Achamos que isso acontece por se dar antibióticos a animais cuja carne, leite ou ovos são consumidos pelo homem. Talvez este também seja o caso de outras bactérias.”

Nos Estados Unidos, apenas uma pequena porcentagem das aves tem a salmonela no intestino ao sair da granja para o matadouro, mas o microbiólogo Nelson Cox afirma que “esse número explode para 20% a 25% durante o transporte”. Espremidas em engradados apertados, as galinhas podem facilmente se infectar. O rápido abate e processamento aumentam o risco. “No fim da linha, as aves estão tão limpas quanto se tivessem sido mergulhadas numa privada suja”, afirma o microbiólogo Gerald Kuester. “Elas podem ter sido lavadas, mas os germes ainda estão ali.”

O processamento da carne em grande escala também pode ser perigoso. “Os lotes de alimento nas usinas de processamento modernas são tão grandes que uma ou duas remessas de alimento infectado recém-chegadas podem contaminar toneladas do produto acabado”, diz a The Encyclopedia of Common Diseases (Enciclopédia de Doenças Comuns).

Basta um só pedaço de carne contaminada, por exemplo, para contaminar todos os hambúrgueres que saem do mesmo moedor. Ademais, os alimentos preparados num centro, despachados para lojas e restaurantes, estão sujeitos à contaminação se não for mantida a temperatura certa durante o trajeto.

Quanto dos alimentos que chegam ao mercado são um risco em potencial? Referindo-se aos Estados Unidos, “pelo menos 60% de tudo que é vendido no varejo”, afirma o Dr. Menning. Mas você pode tomar medidas para se proteger de doenças transmitidas por alimentos, pois, segundo a revista FDA Consumer, “30% de todas essas doenças resultam de manuseio impróprio dos alimentos em casa”. Que cuidados você pode tomar?

Antes de comprar

Leia o rótulo. Quais são os ingredientes? Tome cuidado caso incluam ovos crus, como nos molhos para salada ou em maioneses. No rótulo do leite e do queijo deve constar que foram pasteurizados. Observe a data de fabricação do produto e o prazo de validade. Não presuma que os produtos que afirmam ser totalmente naturais sejam garantia de segurança; eles podem expô-lo a perigos que os aditivos foram feitos para prevenir.

Examine bem o alimento e a embalagem. Se o alimento não tiver aspecto fresco, não compre. O peixe deve ter olhos brilhantes, guelras vermelhas, carne firme e lisa; os filés devem ter tom vivo, sem cheiro forte e desagradável. O peixe deve estar sobre uma camada de gelo ou sob refrigeração. Peixes pré-cozidos expostos ao lado de peixe cru podem contaminar um ao outro. Alimentos em latas e vidros de conserva que estejam vazando, estufados ou de outro modo danificados, podem causar o botulismo — intoxicação rara, mas às vezes fatal, que ataca o sistema nervoso central.

Antes de comer

Cozinhe bem. Essa é uma de suas maiores defesas contra infecção. “Parta do princípio de que todo produto de origem animal está contaminado, e manuseie-o concordemente”, aconselha o Dr. Cohen. Os ovos devem ser cozidos ou fritos até a gema e a clara ficarem duras. Como as bactérias conseguem se reproduzir em temperaturas entre 4 e 60 graus Celsius, a carne deve ser cozida ou assada até o miolo chegar a 71 graus, e a galinha e o frango, a 82 graus.

Seja higiênico ao cozinhar. Todos os utensílios de cozinha devem ser bem limpos depois de usados. Embora haja quem afirme que as tábuas de cortar de madeira possam abrigar bactérias, certo estudo sugere que elas são mais seguras do que as de plástico. Independentemente do material, a tábua deve ser bem lavada com sabão e água quente. Alguns sugerem usar alvejante também. Lave as mãos depois de pegar em carne crua, pois qualquer coisa em que você tocar poderá ficar contaminada.

Fique de olho no relógio. Leve logo os alimentos para casa. “Nada deve ficar fora do refrigerador por mais de duas horas, esteja cozido ou cru”, diz a nutricionista Gail A. Levey. “Se a temperatura ambiente estiver acima de 32 graus”, ela acrescenta, “reduza esse tempo à metade”.

Antes de guardar

Use recipientes adequados. Distribua os alimentos quentes em recipientes pequenos para que esfriem logo no refrigerador. Deixe espaço para o ar frio circular entre os recipientes, para que a temperatura do refrigerador ou do freezer não suba. Todos os recipientes devem ser tampados para evitar contaminação.

Verifique o refrigerador. A temperatura do freezer não deve ultrapassar 18 graus negativos, e a do refrigerador deve ficar abaixo de quatro graus. Embora a carne possa ficar no freezer durante meses, no refrigerador pode estragar em poucos dias. Os ovos devem ser usados no máximo em até três semanas. Para evitar rachaduras e mantê-los na temperatura certa, é melhor deixá-los na caixa original e guardá-los na parte principal do refrigerador em vez de na prateleira de ovos, do lado de dentro da porta, uma das partes mais quentes do refrigerador.

Apesar de todos os cuidados mencionados acima, se o alimento tiver aspecto ou cheiro suspeitos, jogue-o no lixo! Embora, em geral, as doenças de origem alimentar desapareçam sem maiores conseqüências, em alguns casos — em especial com crianças, idosos e pessoas com defesas imunológicas baixas — podem ser fatais.